08/02/2019 - 17h13
“Educação é verbo amar”
Segundo dia do Seminário de Educação abordou a valorização profissional, dentro outros assuntos


PMT
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Vespa no 2º dia do Seminario

A inclusão na educação, tecnologias assistivas, valorização profissional, autoestima e comprometimento com a qualidade dos serviços oferecidos à comunidade foram os principais temas em debate no segundo dia do Seminário de Abertura do Ano Letivo da rede municipal de ensino, que está realizando nas dependências da Faculdade Única. 

Promovido pela Prefeitura de Timóteo, em parceria com a Fundação Aperam Acesita, e com apoio da Faculdade Única, o seminário reuniu cerca de 800 profissionais das áreas pedagógica, operacional e administrativa das 15 escolas municipais e duas Unidades Municipais de Educação Infantil (Umeis´s).

Pela manhã, o vice-prefeito e secretário de Educação, José Vespasiano Cassemiro, o Professor Vespa, participou do evento e destacou a necessidade da participação de todos na construção de uma educação democrática, de qualidade e inclusiva. “Na educação, assim como na vida, temos que aprender a amar o outro como a nós mesmo e estimular as condições para que a escola seja um espaço de inclusão de todos, e de forma  particular das pessoas com deficiência. Os educadores não lidam com matéria inativa, lidam com seres humanos”, citou Vespa.

Para a professora de Português da Escola Novo Tempo,  Janglisan Andrade Araújo,  o seminário é um momento de acolhimento e de reflexão sobre o processo educativo. “Estamos com muita energia pra iniciar o ano e ela será motivada por essas palestras,  que vem nos incentivar a começar o ano ainda com mais ânimo, mais dedicação”. Janglisan argumenta que a troca de experiências favorece a percepção de soluções para questões eventuais vivenciadas na educação. 

A  necessidade de estabelecer relações mais humanizadas no processo de inclusão das pessoas com deficiência também foi propostas pelas mediadoras da Mesa Redonda sobre Inclusão, que teve como público os professores e pedagogos. A pedagoga Sandra Peri traçou um quadro sobre a pessoa com deficiência no Brasil e destacou: “a barreira da inclusão está dentro de nós. São necessárias as adaptações curriculares e tecnologias assistidas; não se trata apenas da vida acadêmica, mas também da vida social,  da inclusão. Todas pessoas merecem assumir o protagonismo”.

Barreira

No Brasil, 24% da população possui alguma deficiência, o que representa 45,6 milhões de brasileiros. Em Timóteo, 27,5% da população timotense são pessoas com deficiência, o que representa 22.280 pessoas. Em relação ao ensino, 7% das pessoas com deficiência tem curso superior; 14% ensino médio; 18% ensino fundamental completo; e 61% não completou o ensino fundamental ou não estudou. Dos 45,6 milhões de pessoas com deficiência no Brasil apenas 1% estão inseridas no mercado de trabalho. 

A pedagoga Luciana Bossi Tolendino fez o relato sobre seu histórico de vida e experiência profissional na educação inclusiva. “É necessário que a gente se coloque no lugar do outro, que exista empatia, para que haja a inclusão”, afirmou, citando que o Centro de Referencia em Educação Inclusiva Ativa Pe. Jean Marie Lamaire é um exemplo de projeto de inclusão, que promove o resgate da autonomia, autoestima, desenvolve as potencialidades. O centro atende pessoas cegas e surdas com oficinas educacionais e de inserção social. 

Em relação às tecnologias assistivas, a professora Márcia Valéria Rodrigues Ferreira, mestre e doutora em Informática, afirmou que a inclusão deve ocorrer nos vários níveis da educação e não apenas em sala de aula ou atividades extraclasse, envolvendo, por exemplo, serviços de portaria, matrícula e de acesso às informações. 

“A barreira atitucional é a pior. Para a inclusão acontecer, a atitude inclusiva do professor é essencial”, mencionou. Para cada tipo de deficiência já existem várias tecnologias assistivas que permitem que a pessoa com deficiência alcance a dignidade humana, pois possibilitam maior autonomia em várias áreas como educação, trabalho e convivência social.

“É uma área em plena expansão, mas tem muita coisa pra fazer  até porque historicamente as pessoas com deficiência estavam segregadas, agora que elas estão vindo para o meio social e sendo incluídas”, expõe Márcia Ferreira,  frisando que o educador não está preparado para todas as situações, mas pode, diante de uma demanda específica, buscar essa preparação para atender a necessidade educacional daquele aluno, para que ele possa ter acesso a uma educação de qualidade.


Dificuldades

A professora do CEFET/Timóteo, Marlene Schettino, mestre em Administração, com docência universitária e consultoria de empresas há 21 anos, ministrou palestra com o tema “Um olhar diferente”. Ela prestou relato como mãe de autista, demonstrando as dificuldades enfrentadas na área de educação pelas crianças com deficiências e pelas famílias. Atualmente, Marlene Schettino está cursando pós-graduação em Intervenção ABA para Autismo e Deficiência Intelectual.

A acompanhante de aluno com deficiência da Escola Limoeiro, Macielly Ceolim Rocha Silva, que também é professora de matemática, elogiou a iniciativa do seminário. “Principalmente, nós que estamos iniciando esta atividade, temos muita expectativa de atender bem aos alunos com deficiência e seus familiares. As palestras tiveram conteúdos bons e objetivos, que vão ajudar no processo de aprendizagem e nos fornecer um norte na busca de caminhos para atender melhor nossos alunos”, afirmou.
 


Fonte : PMT