12/03/2019 - 17h16
Melhoria do acesso das vítimas aos serviços de acolhimento
Instituições apostam na informação e integração para a construção de um fluxo de atendimento


PMT
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Fluxo Atendimento

O I Seminário de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Timóteo foi um debate técnico e um momento de diálogo entre os órgãos públicos responsáveis pelos serviços de acolhimento às vítimas de violência e de punição aos agressores.  O encontro, que envolveu também lideranças comunitárias, foi realizado no auditório da Prefeitura de Timóteo nesta terça-feira durante todo dia.

O evento trouxe a tona depoimentos emocionados de mulheres que conseguiram superar a violência sofrida e questionamentos sobre o funcionamento das instituições. Durante os debates, houve uma homenagem à vereadora carioca Marielle Franco, mulher, negra e ativista social assassinada no ano passado. Dois suspeitos da morte da vereadora foram presos na madrugada desta terça-feira (12). 

O encontro em Timóteo  é uma iniciativa que busca a criação de um fluxo de atendimento às vítimas e reabilitação aos agressores relacionados a este tipo de violência. “É uma rede formada por múltiplos agentes, sendo importante que cada um tenha consciência não só do seu papel como dos demais atores. O seminário serve para sensibilizar todos os envolvidos”, argumenta a juíza de Direito Auxiliar Especial da Comarca de Timóteo, Beatriz Auxiliadora Rezende Machado, frisando que o evento serve para estimular os próximos passos em relação à concretização do projeto.

Na opinião da juíza, a violência deve ser vencida com a construção de uma consciência ou comportamento coletivo no sentido de que as pessoas se respeitem. O delegado da Polícia Civil da Comarca de Timóteo, Jorge Cândido Caldeira, também defendeu que cada cidadão pode e deve fazer algo diferente para melhorar a sociedade.  “Hoje, trazemos neste seminário informações de todos atores do sistema, única forma de melhorar as tratativas contra a violência”, ressaltou o delegado.

Por sua vez, a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM), Kenya Azevedo, lembrou da luta da entidade para que os envolvidos no atendimento às vitimas da violência tenham uma escuta mais sensível, e os órgãos estejam mais integrados para agilizar e melhorar o acesso dessas vítimas a todas as portas de entrada. “Devemos garantir que a estrutura que temos faça valer a lei, os direitos e os deveres”, salientou Kenya Azevedo.

A Ordem dos Advogados do Brasil, seção de Timóteo, colocou a entidade à disposição do projeto. “Vamos fortalecer o projeto no que tange aos serviços jurídicos  e assessoria às vítimas”, citou a presidente da OAB de Timóteo, Cristiana Maria Siqueira. 

O Ministério Público é um dos incentivadores do trabalho em rede. “É necessário maior articulação da rede de atendimento para o seu fortalecimento”, afirma a promotora do Ministério Público de Timóteo, Danielle Cristina Barral de Queiroz. Ela constata que os órgãos têm atuado de forma isolada e que a ausência dessa articulação faz com que o atendimento não seja completo e não sejam  atingidos os fins da  Lei Maria da Penha, que propõe a efetiva proteção das vítimas. 

Capacitação

A secretária de Assistência Social de Timóteo, Rosanna Borges, apontou a importância do seminário para a capacitação dos profissionais que acolhem as vítimas de diferentes idades. “Com este encontro os atores da rede vão estar mais preparados para acolherem de forma humanizada e orienta-las sobre os eventuais procedimentos a serem tomados para enfrentar essa violência”, pontuou.

Segundo ela, o encontro foi fundamental para a construção de uma intersetoriedade do fluxo de atendimento, abrangendo os diversos órgãos de forma a garantir atendimento eficaz das vítimas.

Números

Conforme dados da Polícia Militar de Timóteo, em 2018, o município registrou  304 casos de violência contra Mulher. Em 2019, até esta terça-feira (12), o número chega a 97 ocorrências. Os casos  estão relacionados à ameaças, lesões corporais e estupro entre outros. O Tenente Ruiter Martins Morais destacou que os dados podem subsidiar a formulação das políticas públicas. “Os órgãos públicos e a sociedade devem conhecer o funcionamento da rede, os trâmites de cada instituição para garantir o melhor atendimento”, expôs.

Presenças

Entre as autoridades presentes no I Seminário de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher,  estavam o juiz da Vara Criminal da Infância e da Juventude e Execuções Penais de Timóteo, Luiz Eduardo Oliveira de Faria; o comandante da 85ª Cia. de Polícia Militar, Major Werner Pereira Santos; vereadora Pastora Sônia Ribeiro; vice- prefeito e secretário de Educação e Cultura, José Vespasiano Cassemiro, o professor Vespa; o secretário de Saúde, Eduardo Morais; o vereador Adriano Benjamim, o Tibata; a secretária de Desenvolvimento Social de Marliéria, Adriana Rodrigues; e secretária adjunta da Secretaria de Assistência Social de Ipatinga, Cláudia Castro.  O Hino Nacional foi interpretado pela musicista Ana Lúcia Barros.


Fonte : PMT




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